Mauricio Piacentini | 15 Sep 2005 02:12

[QD-Filosofia] Re: Incidente com camelô e reflexões sobre a pirataria

 >heh... bom, eu mexo com software livre, no meu caso, quanto mais
 >"pirateado" melhor. Tem certeza que está na lista certa? hehehe. Meu
 >trabalho é o serviço, o trabalho do músico deveria ser o show.

Discordo, Gandhi. E isso sem entrar no merito das gravadoras e na nova 
"ditadura do IP" orquestrada pelos nossos amigos do norte.

A questão para mim é que nesse caso ESSES MUSICOS decidiram que a musica 
deles nao é livre, e sacramentaram esse fato assinando contratos 
absurdos passando o poder para as gravadoras. Com isso eles abriram mão 
também de decidir quanto alguém tem que pagar para comprar um CD com sua 
música. Da mesma maneira a Microsoft tem o direito de decidir quanto 
custa comprar o Windows, e tem o direito de decidir que ninguem pode copiar

Acho que misturar pirataria com SL resulta em um bololo perigoso e que 
não interessa na realidade para a gente, só para os espalhadores de FUD.

Em resumo: copiar SL (ou musica livre) é ótimo, pois o desenvolvedor deu 
permissao para tal. Copiar Software proprietario (ou musica 
proprietaria) so atrasa o desenvolvimento dos modelos livres na minha 
opiniao.

Ate,
Mauricio
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Ricardo Andere de Mello | 15 Sep 2005 16:13

Re: [QD-Filosofia] Re: Incidente com camelô e reflexões sobre a pirataria

ok maurício, concordo que não se deve misturar SL com pirataria.

bom, o sistema capitalista nos faz passar por vários impasses. Eu acho 
que o mais correto seria dividir a carga necessária para um lucro 
"justo" para quem produz o produto cultural se houvesse a distribuição 
proporcional de seu encargo, ou seja, cada um pagasse o que pode, mesmo 
no modelo proprietário. O pobre pagaria 1 real, e o rico pagaria 1000 
reais, e ao final de tudo, a média de tudo seria os 10 reais necessários 
para produzir e ter um lucro honesto.

É claro que isto é uma utopia...

Deste modo, infelizmente eu tenho somente duas escolhas. Uma que 
prejudica o direito de "escolha" do músico e outra que prejudica o 
"acesso a informação/cultura" do povo.
É como o embate entre proprietários de terras e sem-terra.
A constituição garante os dois direitos, o direito de proteger a sua 
propriedade e o direito de ter uma propriedade.

Eu escolho o lado dos sem-terra. Simplesmente porquê *ainda* não há 
outra solução para balancear o descaso social.

O direito do músico é afetado? sim. Se existisse acesso irrestrito à 
cultura para o povo, garanto que ninguém tocaria nos direitos do músico.

[]s, gandhi

Mauricio Piacentini wrote:

> >heh... bom, eu mexo com software livre, no meu caso, quanto mais
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Mauricio Piacentini | 15 Sep 2005 16:45

Re: [QD-Filosofia] Re: Incidente com camelô e reflexões sobre a pirataria

> É claro que isto é uma utopia...
> 
...
> A constituição garante os dois direitos, o direito de proteger a sua 
> propriedade e o direito de ter uma propriedade.
> 
> Eu escolho o lado dos sem-terra. Simplesmente porquê *ainda* não há 
> outra solução para balancear o descaso social.
> 
> O direito do músico é afetado? sim. Se existisse acesso irrestrito à 
> cultura para o povo, garanto que ninguém tocaria nos direitos do músico.

Concordo com o que vc diz, uma coisa é o ideal utopico, a outra é a 
realidade. Eu também questiono inclusive o direito a proteger a 
propriedade física (heranca questionavel da revolucao francesa...), 
quanto mais a propriedade intelectual, que é para mim quase inadmissível 
falando de uma maneira mais humanística (homem X estado, etc.)

O ponto que eu queria levantar é que essa justificacao da pirataria 
ajuda a manter a situacao atual e desestimula a mudanca, portanto o 
discurso de defesa da pirataria não nos interessa de maneira nenhuma.

Supondo que em um mundo utopico existisse 0% de pirataria de musica (ou 
software, vamos pegar por esse lado que a gente entende melhor.) Com o 
Windows custando R$ 500 e o Office a R$1000 e pouco por copia, se não 
existisse pirataria a Microsoft estaria fora do barco, menos de 1% da 
populacao ia rodar Windows. Portanto a pirataria só ajuda a legitimar o 
monopolio, seja de software, seja de musica. E legitima o monopolio da 
maneira mais cruel, criando uma legiao de pretensos "foras-da-lei¨, na 
verdade os excluídos economicamente. Em um mundo utopico (com pirataria 
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Gmane